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Quinta-feira. O pior dia da semana. Porquê? Porque eu vou super carregada para a escola e tenho de andar sempre a correr. Mas mesmo sendo quinta-feira, eu acordei e levantei-me da cama. A vontade não era nenhuma, mas tinha aula de artes (mais comummente conhecida como Educação Visual ou E.V.) e o professor é muito rigoroso quanto a atrasos. Por isso levantei-me, tomei um duche para acordar, vesti-me, sequei o cabelo, comi o pequeno-almoço e sai de casa.
A manhã estava mais quente, comparada com os dias anteriores.
- A manhã está linda, não está? - perguntei a Zé, enquanto olhava à minha volta.
- Linda, mas fria! - respondeu-me ele, a observar a sua respiração a desaparecer no ar frio da manhã e a apertar o casaco.
- Pois... Tenho saudades das nossas férias em Verona. Lá estava quentinho, era Verão...
- Sim...
Fomos para a escola. Apesar de estar bastante frio, nós aquecemos rapidamente. Também chegamos em cima da hora, quando o professor ia fechar a porta. Mas a aulas correu bem e rapidamente.
Como depois da aula de artes não tínhamos mais aulas até à uma e meia da tarde, decidimos voltar para casa e estudar para o teste de ciências naturais, que íamos ter para a semana. Mas quando saímos da escola eu avistei João. Estava ao pé do café que fica em frente à escola. Como eu e Zé tínhamos decidido ir comprar qualquer coisa para ir a comer pelo caminho, começamos a dirigir-mo-nos para lá. Quando chegamos um pouco mais perto, conseguimos ouvir a voz da rapariga. Pareceu-me saber de quem era, mas eu não podia estar correcta... Continuamos a andar e a aproximar-mo-nos. E foi aí. Foi assim que eu não só ouvi como vi quem era a rapariga. Era Ana.
Ela riu-se e ele inclinou-se para a beijar. Algo a que ela respondeu com a mesma moeda. Uma lágrima triste e solitária correu-me pelo rosto. Olhei para o meu irmão. Estava sério e triste, tudo ao mesmo tempo. E eu sabia o que ele ia fazer a seguir. Eu sabia que ele não ia esperar até estar mais calmo para acabar tudo com ela. O que eu não sabia era se ele ia tentar dar um soco a João. Mas deixei-o ir. Até fui com ele.
- Ana - disse o meu irmão.
- Oh... Amor, não é o que pensas...
- Cala-te. Sinceramente? Eu já andava a desconfiar. Está tudo acabado entre nós.
- Mas... Zé, meu amor...
- E tu, - comecei eu a dizer - João, ainda tens a lata de me mandar mensagens a dizer que me amas! Como queres que acredite em ti?!
- Bella...
- Eu nunca mais te quero ver à frente. E, - disse eu, virando-me para Ana - a ti aconselho-te a esqueceres o meu irmão, se é que já não o fizeste.
Eu comecei a virar costas mas João agarra-me o braço. Ia começar a dizer para ele me largar, mas Zé antecipou-se a mim:
- Larga o braço da minha irmã, João.
- Bella, deixa-me explicar. Por favor.
- Larga-me - disse eu.
- Não vou voltar a dizer para a largares, João - avisou o meu irmão.
Ele não me largou. Continuava a suplicar-me com os olhos por uma oportunidade que não iria ter. Zé fartou-se. Como João não me largava a bem, ia largar-me a mal. Então, Zé deu-lhe um soco e encaminha-mo-nos para casa.